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03/12/2019 às 16h35min - Atualizada em 03/12/2019 às 16h35min
História, mestre da vida
Entrevista concedida pelo Presidente da Fundação de Rotarianos de São Paulo

José Ermírio de Moraes Filho, sem dúvida, o nome mais importante da história da Fundação de Rotarianos de São Paulo, entidade fundada por seu pai José Ermírio de Moraes em novembro de 1946, junto com mais vinte abnegados rotarianos pertencentes àquela época ao sempre prestigioso Rotary Club de São Paulo.

José Ermírio de Moraes Filho serviu a Fundação como secretário, por três gestões de dois anos cada uma; tesoureiro por duas gestões de dois anos e duas gestões de três anos e como presidente de 1967 a 1997, portanto 46 anos de integral dedicação a esta entidade à qual a Família Ermírio de Moraes deu vida, na ocasião em que assumiu o patrimônio do Colégio Rio Branco, medida que permitiu o não encerramento de suas atividades.

A trajetória de Antônio Ermírio e José Ermírio de Moraes Filho em beneficio da comunidade, em todos os setores das atividades de saúde, construção, educação e cultura em todas as suas nuances creditam à Família Ermírio de Moraes os nossos mais sinceros agradecimentos.

Como editor da Revista Vida Rotária, em maio de 1975, entrevistei o Presidente José Ermírio de Moraes Filho, no edifico sede do Grupo Votorantim localizado na Praça Ramos de Azevedo, 254, no centro de São Paulo.

Na sala da presidência do Grupo Votorantim, vislumbrando o grandioso quadro retratando a figura vertical de José Ermírio de Moraes, exemplo de brasilidade, colocado em lugar de honra, no gabinete de trabalho.

 

O Rotary e a Fundação de Rotarianos de São Paulo

 

Entrevista com o Presidente da Diretoria Executiva da Fundação, Dr. José Ermírio de Moraes Filho.

 

1 – O ingresso do senhor no Rotary, juntamente com o seu irmão, Dr. Antonio Ermírio de Moraes, ocorreu no dia 6 de junho de 1952; poderia lembrar-se do que sentiu ao ingressar em um clube de serviço do prestígio do Rotary?

R. Lembro-me perfeitamente do meu ingresso no Rotary Club de São Paulo, no dia 6 de junho de 1952, quando era seu presidente Nicolau Filizola. As reuniões do Rotary ainda eram no velho Hotel Esplanada que, por uma feliz coincidência, é hoje a sede da nossa Organização Industrial.

Foi para mim um dia emotivo, pois meu pai havia sido presidente do clube há pouco tempo e desde que regressei dos estados Unidos, quando terminei meu curso de engenharia, comecei a frequentar o Rotary.

Lembro-me ainda hoje das palavras que na ocasião do meu ingresso foram pronunciadas por aquele que foi um dos maiores rotarianos de São Paulo: Armando de Arruda Pereira, ex-presidente do Rotary International. Desde aquela data, procurei servir sempre o Rotary Club de São Paulo, culminando minha carreira com a presidência do clube no ano 1959-60.

 

2 – Nós que trabalhamos há muito tempo nesta revista, conhecemos o extraordinário trabalho que seu saudoso pai, Dr. José Ermírio de Moraes prestou à causa rotária. Poderia falar alguma coisa sobre este entusiasmo do Dr. Moraes? Temos certeza que seu testemunho servirá para aumentar o entusiasmo dos novos rotarianos e revitalizar o dos mais antigos.

R. Há uma definição de meu pai, proferida no dia em que completou 70 anos e dirigida aos seus filhos, amigos e colaboradores que o homenageavam, valendo como legenda para seu invariável entusiasmo pela Servidão Autêntica, que é um apanágio da causa rotária: “... O que julgamos ser o melhor: trabalho, educação, humildade, saber, responsabilidade e experiência. Aprender sempre foi nosso principal lema, mantendo acima de tudo o caráter e a brasilidade”.

 

Com tais sentimentos, meu pai aprendeu e apoiou os objetivos do Rotary, em seu amplo e generoso sentido.

 

3 – A Fundação de Rotarianos de São Paulo, através do Colégio Rio Branco e do Lar Escola Rotary, é um exemplo autêntico do extraordinário trabalho rotário que é proporcionado à infância e à juventude de nossa terra. É reconhecido por toda a comunidade rotária, o extraordinário trabalho e participação que o senhor e o saudoso Dr. Moraes prestaram para que este empreendimento notável se concretizasse. Na qualidade de Presidente da Diretoria Executiva da Fundação poderia tecer breves comentários sobre este trabalho?

R. Consciente de que somente a Educação, como força propulsora do Trabalho Responsável, poderia servir de base e alavanca para o desenvolvimento do Brasil e sentindo, há exatamente trinta anos passados, que o fechamento de uma das melhores escolas do país representaria grave retrocesso, meu pai encontrou, primeiro na defesa do velho Rio Branco e depois no amparo à Fundação, uma síntese feliz para Ensino e Serviço Cívico-Social, que encontram na Fundação de Rotarianos e no Colégio suas expressões genuínas.

Formado e educado de acordo com esses princípios, procuro dar continuidade ao que aprendi nas lições e nos exemplos de meu pai.

 

4 – Quais as perspectivas, senhor presidente, sobre o desenvolvimento do ensino no Colégio Rio Branco?

5 – Quais as metas programadas, que o nosso grande estabelecimento escolar terá que alcançar?

6 – Pelo magnífico relatório apresentado ao Conselho Deliberativo, a Diretoria Executiva, presidida pelo senhor, publicado parcialmente nesta edição, verificamos que a situação administrativa e econômico financeira da Entidade é extraordinária. Poderia tecer algum comentário sobre esta vitoriosa administração, já que a Fundação de Rotarianos realiza, como é de consenso geral, a maior obra rotária do mundo?

R. Felizmente, temos conseguido manter o Colégio Rio Branco no rumo certo, seguindo assim a orientação dos nossos assessores. Numa época como a atual, em que se verifica permanentemente o fechamento de inúmeros colégios pela ação mais decisiva do estado na educação, cumprindo, aliás, com o seu dever, é com satisfação que verificamos estar o Colégio Rio Branco em pleno desenvolvimento, mantendo e aprimorando a categoria do seu ensino e apenas não aumentando mais o número de alunos, pela limitação de espaço, com a qual temos que nos deparar.

Duas são as metas programadas para o nosso Colégio: A 1ª seria a ampliação do atual Colégio e sobre isso pretendemos, a partir do segundo semestre do ano em curso, traçar um programa definitivo. A principio, quer nos parecer que pela infra-estrutura necessária será preciso procurarmos um outro local para a construção de um novo colégio, visto que a localização do atual Colégio Rio Branco, por assim dizer, no centro de São Paulo, torna amplamente problemática esta ampliação.

A 2ª que pretendemos fazer paralelamente à 1ª, cujos passos iniciais já foram tomados, é a instalação de uma Faculdade para Ciências Administrativas e Contábeis. Pretendemos iniciar essa faculdade, se Deus quiser, no ano de 1977 e talvez venha a ser ela a primeira faculdade de uma possível universidade da Fundação de Rotarianos de São Paulo.

 

7 – O Lar Escola Rotary é uma entidade que dignifica a Fundação de Rotarianos de São Paulo, que o mantém no Km 24 da Via Raposo Tavares, congregando cerca de 300 crianças pobres. Breves comentários – Sr. Presidente – sobre o lar Escola Rotary.

R. O auxílio às crianças pobres, apenas como socorro aos desvalidos da sociedade, muitas vezes degrada os que recebem e não engrandece os que doam...

A caridade, como virtude, impõe a dignidade na solidariedade humana. Um Lar Escola, formando criaturas em ambiente de Família, transforma o donativo de esmola aviltante em gesto de efetiva filantropia, transmitindo aos favorecidos a segurança nascida do Amor Nobilitante.

No Km 24 da Via Raposo Tavares a Fundação de Rotarianos procura cumprir com esses princípios éticos, dando às crianças o calor dos sentimentos da fraternidade sem humilhação.

 

8 – desejaríamos saber, Sr. Presidente, como consegue dirigir o complexo Grupo Industrial Votorantim, praticar seu esporte preferido, o tênis, presidir a federação Paulista de Futebol, exercer a Vice-presidência da Confederação Brasileira de Desportos, participar de Diretorias de Sindicatos e Associações de classe?

R. Tenho o empenho constante de corresponder à confiança recebida daqueles que minha consciência e meu discernimento indicam que deva atender, com objetivos cívicos, profissionais e sociais dignos de tempo e dedicação. Assim consigo conciliar atividades diversificadas, selecionando e organizando equipes, com auxiliares e colaboradores de confiança, identificados com meu sistema de trabalho, podendo portanto harmonizar os calendários e os horários das diferentes obrigações, só assumindo compromissos compatíveis com tais critérios.

Quanto às atividades de diletantismo e esportivas – especialmente o tênis – constituem práticas indispensáveis à higiene mental e física. Em passado não muito remoto nas Escolas e nos Estádios não se considerava pedante a sentença de Juvenal, inscrita sempre em latim, lembrando que a saúde do corpo é condição essencial à inteireza do espírito.

 



Fonte: Sérgio de Castro
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