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09/03/2015 às 17h48min - Atualizada em 09/03/2015 às 17h48min
A Deusa da música
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O falecimento de Inezita Barroso deixa todo o país sensibilizado e pesaroso. Ao tomar conhecimento do fato ocorrido em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, devemos reconhecer este grande talento. Atriz, compositora, musicista, cantora inigualável. Dona de estilo único, mestre do seu ofício, mas com um coração puro, generoso e sentimentos nobres.

A mídia tratou com justiça a sua trajetória,  desde quando teve início a sua vitoriosa carreira de muitas vitórias e consagrações. Nasceu em São Paulo, seu talento foi reconhecido em todo o mundo.

Conheci Inezita por intermédio da minha esposa Jurema, quando teve algumas aulas de instrumentos de cordas, violão e viola  com ela. Inezita, logo depois, recomendou o Professor Hugo, muito conhecido nos bairros da Vila Pompéia e Sumaré, para prosseguir as aulas de violão. Por sua influência também tive oportunidade de convidá-la para participar da grandiosa Festa de Maio, evento anual do Santuário Nossa Senhora de Fátima, no Alto do Sumaré.

Assim aconteceu durante muitos anos seguidos, apresentou suas músicas cantando no Palco da Festa de Maio, sempre superlotado para vê-la e ouvi-la desfilar e apresentar seus maiores sucessos. Fazia isso generosamente, não cobrava cachê, “trata-se de doação e colaboração que desejo ofertar ao povo da Zona Oeste e à Virgem de Fátima”, dizia quando eu e Jurema íamos buscá-la em sua casa na Rua Gabriel dos Santos  esquina com Alameda Barros. Sempre morou na região da Barra Funda e Santa Cecília. “Não foi fácil convencer a família que sua real convocação era a música”.

Cooperou com Homero Silva, celebre apresentador e Diretor  da Rádio Difusora e TV Tupi, nos primórdios da instalação da Cidade do Rádio no Sumaré. Clube do Papai Noel e Grêmio Juvenil Tupi  que  fez  parte do seu início artístico, depois trabalhou na Vera Cruz, atuando no cinema, no teatro e na televisão, sempre muito aplaudida e acumulando sucessos.

Chegou triunfante à TV Cultura atuando durante quase 30 anos, apresentando, contando casos, cantando e revelando novos talentos.

Apreciava a boa mesa, os Irmãos gêmeos Miro e Mário do celebre Restaurante Parreirinha, na Rua General Jardim, que funcionou durante quase 60 anos, afirmaram “foi a primeira mulher a entrar sozinha em um restaurante da cidade, em pouco tempo reservamos mesa exclusiva para ela, mesmo que não aparecesse a mesa era  exclusivamente dela. Jamais a esqueceremos”

Eu também não, como afirmei acima, ao comparecer à Festa de Maio, por anos e anos seguidos, para seduzir e encantar a todos os presentes, gostava  de ir bem cedo, antes do show, no final da tarde, “desejo participar da Missa das 18h30, participar da procissão e depois cantar”.

Após o show sua mesa estava preparada, ao lado de apenas muito poucos amigos, naquele  momento, os barraqueiros serviam Inezita com carinho. As iguarias portuguesas, bolinho de bacalhau, servido por Maria Siqueira, caldo verde, pela Geny do Clube dos Trabalhadores do Sumaré,  as alheiras e sardinhas por Ana Maria e João dos Ramos, os doces,pastel de Belém, ovos moles do Aveiro por Albina Duarte , o Café por Da.Ricardina e os vinhos apareciam como o milagre  das Bodas de  Canaá, servido pelo Pároco Frei Yves Terral. Uma interação de amizade e amor. Ao receber as flores da Jurema, no amplo e suntuoso palco da Festa de Maio ou na Praça da Alimentação, quase sempre lembrava de sua mãe que a estava esperando, por isso era preparado para ela essas mesmas iguarias que ela levava com desvelo de filha amorosa, da mesma forma que sua filha Marta Barroso Macedo Leme, quando afirma, “minha mãe foi um presente de Deus para a   sua terra natal, São Paulo,para o Brasil e para o mundo” . O pronunciamento oficial do Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, revela “ Ao recuperar o nosso folclore Inezita preservou um ativo inestimável, um tesouro que faz de nós brasileiros uma nação: nossas raízes A partir de agora, São Paulo e o Brasil retribuirão esse legado de amor, com imensa saudade”

Fecha-se as cortinas, os aplausos permanecem     



Fonte: Sérgio de Castro
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