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24/11/2014 às 15h12min - Atualizada em 24/11/2014 às 15h12min
Lata d´água
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As primeiras civilizações eram  agrárias. A interpretação dessa frase leva o leitor a imaginar os antigos de tangas, plantando e colhendo , se alimentando e só.  Ideia incompleta. O material de construção, suporte  a uma séries de tecnologias também vinha de geração vegetal. A madeira, os bambus, eram parte da base para tratar do assunto fundamental, como captar e conservar a água, sobretudo em centros urbanos gigantes.

O Egito era considerado a  dádiva do Nilo, sem ele não haveriam terras férteis, água e pesca que para eles era fundamental.

A mesopotâmia  foi construída  entre o Rio Tigre e Eufrates, sem eles grande parte do comércio e da pesca não seriam possíveis.

Em 2.300 aC, já se aplicavam técnicas de irrigação artificial por meio de canais com vazão controlada, bombeamento denominado “shadesf”,  processo elevatório que levava água até locais  não inundados, sistema usado até hoje de pequenas quantidades de água ou situações em que o custo da implantação de sistema automático, é considerado alto. A roda para bombear a água movida a tração animal também vem do Egito.

No tempo dos romanos entre 30 aC e 395 dC, Heródoto considerava  que os aquedutos refletiam a filosofia romana de objetividade e praticidade. Roma deixou volumosas estruturas que tinham a função de conduzir água pelas cidades, contendo canalização   subterrânea, aquedutos em arcos suspensos, herança dos etruscos.

Captavam água dos mananciais mais próximos, com  o passar do tempo, eles ficavam poluídos em função do depósito e esgoto sem nenhum tratamento. Assim abandonava-se o manancial em questão e buscava-se pelo seguinte.

Os ricos recebiam água em casa, os mais pobres só podiam retirar água das fontes públicas, mediante o pagamento de taxas. Tinham entre 8 e 85 Km. de extensão  e eram elevados a mais de 60 metros. Entre eles, “Aqua Appia!, Anio Vetus,  Aqua marcia, virgo, claudia e alexandrina. O primeiro construído – Aqua Appia, foi feito no ano de 312 aC.  O maior de todos. cerca de 91 km.  ainda podemos ver  vestígios de sua grandeza  na ainda conservada Via Appia Antica,  não  muito longe da Piaça ´D Espanha e Via Veneto´, incrível.


Tempos Modernos

Em 1948, meu pai constrói sua casa própria na Rua Alves Guimarães, entre a rua Amália de Noronha e Estada do Araçá, depois denominada Heitor Penteado. Mudamos da urbanizada Rua da Consolação, entre as Ruas Cel. José Euzébio e Maceió que possuía todos os equipamentos urbanos  e  água em abundância. Nossa nova casa no Sumaré, região remota na época, conhecida como Fazendinha e Chácara do Bispo, muito perto do Santuário de Nossa Senhora de Fátima e do reservatório do Araçá, no alto do Sumaré, construído  em 1896, hoje propriedade da Sabesp, local de muita luta cívica e cidadania para conservação de árvores centenárias ameaçadas de desaparecem,  hoje felizmente imunes de corte e tombadas pelo Compresp.  Em 1948, embora tendo reservatório perto, quase todas as ruas da região não tinham água encanada. Lembro que meu pai e minha mãe nos ensinavam a retirar água de poços muito profundos. Muito perto corria o rio Verde, que nasce no morro no início da rua Beatriz Galvão,  hoje canalizado sob a Rua Abegoaria, percorrendo parte da Vila Madalena, onde inunda a parte mais baixa nas  grandes chuvas,  seguindo sua trajetória em Pinheiros, Praça Portugal, cruza a Av. Rebouças, em área de servidão percorre a Al.Gabriel Monteiro da Silva, até atingir a rua Grécia, cruza a Av. Faria Lima, atinge a rua Campo Verde, passa sob a rua Hungria, Marginal Pinheiros e deságua no rio Pinheiros.  No fim dos anos 40 podia-se nadar em alguns trechos e a água era potável, fiz isso muitas vezes na parte mais alta,   no Sumaré, e o meu chará, Sérgio Andreucci, em Pinheiros.

Somente após o 4º Centenário da Cidade, em 1954, comemoramos a chegada da água nas torneiras. Vejam,  a região da Mesopotâmia e os romanos já possuíam esse conforto centenas de anos antes de Cristo.

E o Tietê, com suas águas hoje poluídas já foi cenário de  competições, como a Travessia de São Paulo a nado.  Este rio maravilhoso nasce em Salesópolis a 1027 metros de altura, atravessa a cidade e o Estado de São Paulo. Está a apenas 22 Km. do litoral, as escarpas do serrado obrigam-no a caminhar no sentido inverso, rumo ao interior, até desaguar no largo formado pelas barragens do Jupiá, no rio Paraná, no Município de  Três Lagoas, cerca de 50 quilômetros   da jusante da cidade de Pereira Barreto. Teve sua flora original destruída, tombado pelo Estado, foi recuperado, apresentando agora floresta secundária. Agredido pelo crescimento desordenado, não respeitando a sua vocação natural, ficou em situação caótica.

Desde 1990,  a população, jornalistas e organizações não governamentais, procuram colaborar com o Estado para que o processo de recuperação seja vitorioso.

Nesta crise de abastecimento de água a Sabesp, empresa de economia mista, procura   contornar esse grande problema e viabilizar novas fontes e projetos para proteção dos mananciais existentes.

Não podemos lavar as mãos como fez Poncio Pilatos, do contrário ficaremos com as mãos imundas. Mãos à  obra , é o que vale, de mãos dadas,  transmitindo nossos conhecimentos às crianças e nas  escolas, ensinando sobre este elemento vital da natureza.

 

Para descontrair um pouco, nada melhor do que relembrar duas músicas do nosso cancioneiro popular.

A primeira de autoria de Paquito e Romeu Gentil, gravada por Vocalistas Tropicais, em 1949


Tomara que chova três dias sem parar,

A minha grande mágoa é lá em casa não ter água,

Eu preciso me lavar

De promessa eu ando cheio

Quando conto a minha vida,

Ninguém quer acreditar

Trabalho não me cansa,

O que cansa é pensar

Que lá em casa não tem água nem pra cozinhar

 

A segunda, de 1952,  autoria de Luiz Antonio e Jota Jr, gravada por várias cantoras e cantores

Lata d´água na cabeça

Lá vai Maria, Lá vai Maria

Sobe o Morro não se cansa

Pela mão leva criança, lá vai Maria

Maria lava roupa lá no alto

Lutando pelo pão de cada dia

Sonhando com a vida do asfalto

Que acaba, onde o Morro Principia

 

Letras musicais que bem retratam nossa gente. Até me faz lembrar nestes dias de falta de água, os desatinos dos dirigentes de nossa tão aclamada “maior empresa brasileira”, Petrobrás, cujos advogados processaram e levaram à Juri e condenado, em Nova York, o Jornalista Paulo Francis, porque há muitas décadas passadas ele  já denunciava tais arruaças administrativas. Não vamos nos distrair, fiquemos atentos, porque  como responsável  pelo editorial de uma publicação de renome,  há décadas passadas, publiquei um artigo fantástico, não de minha autoria, denominado “ A Criminosa Omissão das elites”.   Será que estamos repetindo tudo isso ?  Vamos refletir.



Fonte: Sérgio de Castro
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