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02/05/2014 às 17h48min - Atualizada em 02/05/2014 às 17h48min
Servidor do Sumaré
Sérgio de Castro

Contador e jornalista, Sérgio de Castro mora no Sumaré há décadas e participa do dia a dia da região através do Rotary Sumaré que presidiu por duas vezes ou junto ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, como paroquiano. Coordenou por 23 anos a Festa de Nossa Senhora de Fátima que acontece no dia 13 de Maio, dia da aparição de N. S. de Fátima para os três camponeses portugueses, época que o bairro recebe milhares de devotos. Sérgio acaba de lançar seu segundo livro, “Sínteses e Paradoxos” (RG Editores). Em suas páginas, conta muitas histórias sobre o Sumaré, sobre os clubes do Rotary de São Paulo, fala de amigos e conhecidos e aborda temas como saúde, educação e gastronomia. Nesta conversa, ele fala de sua vida por aqui, suas atividades e sobre o livro.

 

Você veio para o Sumaré com que idade?

Eu e minha família chegamos aqui quando eu tinha 10 anos de idade. Nasci na Consolação onde meus pais tinham um armazém. Na época da 2°Gerra Mundial eles perderam tudo. Quando viemos morar na Alves Guimarães e a gente chamava esta região de Fazendinha. Era bem deserta. Em 1989 mudei para este apartamento na Cayowaa. Minha mãe morou na Alves Guimarães por mais de 64 anos.


Que lembranças você tem daquela época?

Onde hoje é o Jardim das Bandeiras tinha muito capim gordura e uns sitiantes criavam vacas leiteiras. Eu e os meus colegas do colégio São Luis, Onde eu estudava, jogávamos bola onde hoje fica a rua Abegoaría e não Abegoária como as pessoas falam é o nome que se dá para um depósito de ferramentas de um sítio.


Como era essa região naquele tempo?

A Alves Guimarães terminava onde hoje é a Heitor Penteado. Não tinha saída, só um barranco.E para se chegar até a Lapa, Vila Romana, Ipojuca, você tinha que dar a volta pela Estrada da Boiada pelos lados de Pinheiros. Por aqui não tinha como passar. Era mata fechada. Quando queria ir para o centro era preciso tomar o ônibus número 55 cujo o ponto final era na Avenida Alfonso Bovero, perto da praça da Sabesp e não tinha mais nada. Aliás o ônibus circulava quando queria. Para embarcar no ônibus mais vazio eu caminhava uns dois pontos em direção ao ponto inicial.


Então você foi testemunha da grande transformação que a região passou...

Sim, sem dúvida. Aliás, Sumaré é nome de uma Orquídea – Cyrtopodium punctatum – que tinha em grande número por aqui, quando a Mata Atlântica predominava na região. O bairro tem uma vocação para comunicações,afinal foi aqui que surgiu a primeira emissora de TV do Brasil, 60 anos atrás. E também é um local de peregrinação religiosa.

 

Como você e seus amigos se divertiam naquele tempo?

Em 1957-58 faziamos grandes festas e bailes em um casarão na esquina da Henrique Schaumann e Cardeal Arcoverde onde hoje está a Biblioteca Publica Alceu Amoroso Lima.Eram festas bem animadas e ganhamos muito dinheiro fazendo isso. No livro faço uma homenagem ás orquestras que se apresentavam lá, como as do Maestro Silvio Mazuca, Osmar Milani, e a fantástica Orquestra Tabajara do Rio de Janeiro entre outras.

 

Naquele tempo você já frequentava o Santuário de Fatima?

Sim. Eu sempre estive presente na missa de domingo. Mais tarde, mais tarde coordenei por anos a festa do dia de 13 de maio. Até o Rotary teve barraca nesta festa de maio. Hoje eu sou conselheiro do Santuário. Foi lá que casei e batizei meus filhos.


No seu livro você conta histórias do bairro e do Santuário. O que mais o leitor vai encontrar?

Conto como surgiu o Santuário, que esta neste lugar privilegiado graças a esperteza dos padres. Entre os terrenos que tinham para escolher onde erguer a paróquia ficaram com o mais alto. Pouca gente sabe mas entre o santuário e o Vale do Anhangabaú são 180 metros de desnível. Aqui é um dos pontos mais altos da cidade de São Paulo. Por isso que a TV Cultura instalou sua antena lá. Aliás eles ocupam o terreno pertencente ao santuário para quem pagam aluguel.


O frey Yves, morto recentemente teve uma importância muito grande para o santuário...

Esteve a frente do santuário por 30 anos. Foi ele quem dinamizou a paróquia e integrou o santuário na vida da cidade e eu cito ele em meu livro.


Como o Rotary entrou em sua vida?

Fui trabalhar no cartório do Dr. Adalberto Bueno Netto, que era de Catanduva onde foi prefeito e depois de Mogi Mirim, na Alta Mogiana. Ele foi um dos maiores rotarianos brasileiros de todos os tempos. Grande orador e escritor. Foi deputado estadual e secretário da agricultura do Governador Armando Sales. E depois, por 43 anos, trabalhei na Fundação Rotariana como contador e depois como jornalista.


Nessa época você já era rotariano?

Funcionário do Rotary não podia ser associado porque o presidente da época não permitia. Só em 1990, quando me aposentei na Fundação Rotariana é que entrei no Rotary do Sumaré. Mas pelo meu tempo de experiência eu conhecia muito mais do Rotary do que muitos rotarianos.


Você já presidiu o Rotary por duas vezes...

Fui presidente do Rotary Sumaré em dois mandatos, 1996-97 e 2010-11. Mas me licenciei em algumas ocasiões para servir a outros clubes por conta da minha experiência. E voltei em 2007. Nosso clube tem 30 pessoas. É um clube médio.


O que é ser rotariano?

É difícil explicar. Para ser rotariano, você precisa ter uma pré-disposição a se doar e servir a comunidade. O fundamental é servir. É um clube de serviço, onde os sócios pagam mensalidade para trabalhar de graça. O projeto de educação que temos hoje é o maior do mundo e começou pequenininho. No inicio muita gente achou que era loucura. Aqueles que são destemidos e idealistas realizam e hoje a obra esta ai. O Rotary contribui muito com serviços aos governos, sem partidarismo. Não discutimos politica nem religião em nossas reuniões. Mas é claro que cada um pode ter suas preferências.

 

Você era o organizador das viagens para os rotarianos de São Paulo.  Qual foi o destino da primeira viagem?

A primeira que eu organizei foi em 1978 e era para Tóquio (Japão), e no ano seguinte foi para a Roma.


Você conta em seu livro muitas das viagens que fez para convenções do Rotary?

A serviço do Rotary, viajei muito pelo mundo. A primeira vez que fui a Europa, visitei 19 países. Neste livro tem muitas fotos dessas viagens que aproveitei para fazer reportagens para a revista do Rotary. Visitei a África do Sul, Escócia, Estados Unidos, Alemanha, Portugal e outros países. O Rotary me deu a oportunidade de ser conhecido e conhecer muita gente. Este meu livro é para meus colegas rotarianos e os meus amigos paroquianos. O rotariano está retratado neste livro.


O Brasil já sediou as convenções mundiais do Rotary?

Em 1948 o rio de janeiro e em 1981, São Paulo que teve a oradora mais aplaudida de uma convenção mundial do Rotary até hoje. A madre Tereza de Calcutá veio até aqui para isso. E foi aqui que ela cunhou a célebre frase “Doar até doer”. Ela preferiu abrir mão da hospedagem no hotel Maksoud Plaza e ficou em um apartamento do Colégio Santa Marcelina na Rua Cardoso de Almeida. Pediu que o dinheiro da diária do hotel fosse doado para a obra dela na Índia.


Teve algum fato pitoresco nestas viagens?

Uma das coisas engraçadas destas minhas viagens foi o extravio das 109 malas do nosso grupo de rotarianos. Extraviar uma mala ou duas, vá lá, mas 109! Foi um transtorno para todo mundo e elas começaram a reaparecer três dias depois. A primeira que foi encontrada foi a minha. E ai teve gente que pensou que eu só tinha ido atrás da minha (risos). No final da história apenas uma mala ficou extraviada.


Incluindo alguns donos de restaurantes onde aconteceram reuniões do Rotary...

Um desses personagens é o Giuseppe, dono do restaurante Via Venetto, no Alto da Lapa. Na verdade ele chamava José Firmino, mas todo mundo conhece ele por Giuseppe. Eu fiz uma viagem à Europa como se fosse ele conhecendo a Europa. Inicialmente era para eu escrever a biografia dele, mas por vários motivos ainda não foi possível. Então resolvi incluir a história dele em um capítulo deste meu livro. Outro dono de restaurante que serviu muito ao Rotary foi o Mario Tatini que tem um restaurante na Rua Batataes, no Jardim Paulista. Ele também foi dono do Don Fabrizio na Alameda Santos que recebia as reuniões do Rotary da zona sul.


Você, no livro, homenageia duas mulheres importantes da sua vida.

Sim, minha esposa Jurema, que chamo carinhosamente de Fada Risonha. Ficamos casados 52 anos e até hoje ainda não me equilibrei desta perda. Tivemos dois filhos e hoje tenho duas netas e sem eles, eu estaria perdido. Também escrevo sobre minha mão Delphina Alice de Castro que faleceu em junho último. Consegui colocar no livro a mensagem lida na missa que fizemos para ela.


Entre os amigos do bairro, você cita Sebastião Esteves...

No capítulo ‘Figuras Emblemáticas’ falo do português Sebastião Esteves, amigo nosso aqui do Sumaré que diariamente levava uma rosa para Nossa Senhora de Fatima lá no santuário. Ele tinha postos de gasolina, ficou muito rico e morava na Rua Havaí. Ele e a esposa foram assassinados anos atrás. É o paradoxo da vida de uma pessoa tão boa que morreu na própria casa de forma violenta.


O que você acha da verticalização do bairro?

Acho horrível! Aqui ao lado vão construir um prédio com 30 andares. No livro eu faço uma mea culpa porque nós na igreja demos espaço para a discussão do zoneamento da região e não fizemos nada contra.


Como você define o Sumaré?

É um oásis a cinco minutos do centro da cidade. É um lugar privilegiado para se morar. Graças ao santuário de Nossa Senhora de Fatima o Sumaré virou um bairro religioso. E nunca vai acabar enquanto tiver pessoas como os padres, que são verdadeiros animadores e gente como a dona Idalina, dona Ricardina. (GA)



Fonte: Guia Daqui Sumaré, Edição Nº 24, Outubro de 2011
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